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Interpreto e escrevo o que você não consegue expressar com suas próprias palavras.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Enviei sua carta
terça-feira, 1 de março de 2011
A palavra escrita numa carta da oportunidade para pensar e refletir.
Os sentimentos nos governam...
e fazemos (ou deixamos de fazer, por causa
deles) coisas das que depois nos arrependemos.
São os sentimentos
Mas...
São também estes sentimentos os
mesmos que nos fazem dizer coisas que não sentimos. É por eles que
agimos por impulso, condenando erradamente a quem não merece
por deixarmos nos enganar por aparências
que diminuem o valor de quem
nos ama de verdade. São os sentimentos que nos fazem parecer o que não somos,
os que limitam nosso crescimento e os que causam a dor do arrependimento.
Por isso...
Quando alguém sente necessidade
de agradecer o que tem, de retribuir o apoio recebido, de
manifestar o quanto é feliz na companhia do outro, de quanto lamenta
ter causado dor, de gritar ao mundo que está amando como nunca antes
amou, de demonstrar o que sente para conquistar a quem lhe interessa, de
ser grato pela ajuda recebida, de comunicar ao seus seres queridos o
quanto são importantes para sua vida...Quando alguém sente isso, nem
sempre, encontra a palavra exata que expresse o que realmente
quer dizer.
Por isso pretendemos ajuda-lo a que escreva o
que sente.
Uma carta é a maneira mais
sincera e efetiva de mostrar os sentimentos. O caminho do sucesso
começa mostrando o que nosso coração sente.
Arthur
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
Pablo Neruda (Poeta Chileno. Premio Nobel literatura 1971)
Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.
Nos Bosques, Perdido
Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.
Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um gruto ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.
Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.
Não o quero, amada.
Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.
Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela...
Pablo Neruda
Para meu coração teu peito basta,
para que sejas livre, minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
o que era adormecido na tua alma.
Mora em ti a ilusão de cada dia
e chegas como o aljôfar às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência,
eternamente em fuga como as ondas.
Eu disse que cantavas entre vento
como os pinheiros cantam, e os mastros
Tu és como eles alta e taciturna.
Tens a pronta tristeza de uma viagem.
Acolhedora como um caminho antigo,
povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Despertei e por vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.
Pablo Neruda
Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobra suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido.
Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma mais viajará pela sombra comigo,
só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo,
teus olhos se fecharam como duas asas cinzas.
Enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.






